São Paulo: política só com ética
A cidade de São Paulo, escondida sob um falso espetáculo de progresso e gigantismo, é na verdade uma metrópole desgovernada, mal planejada, centro principal da fragilidade administrativa, social, econômica e da degradação urbana, moral e política.
Rios mortos, poluição incontrolável, trânsito caótico, pedintes e desempregados por todos os pontos, favelas que proliferam diante da cegueira governamental, hospitais sucateados, escolas deterioradas, insegurança crônica. São Paulo é uma cidade em que mais de 10 milhões de pessoas se aglomeram em atividade frenética, fundamentalmente individualista e predatória.
Prefeitos se sucedem no poder, sob a promessa de construir uma sociedade mais moderna e mais humana, da qual os paulistanos possam com justo motivo se orgulhar. Afinal, não se pode duvidar do potencial e da inesgotável energia de nossa população, consagrada na imagem da "cidade que amanhece trabalhando".
Que outro centro urbano do país reúne tantas condições para consolidar a ponte para o século 21, se não a cidade que é a capital financeira nacional, que detém as maiores e melhores universidades, a excelência na medicina e no setor de pesquisa científica?
Apesar desse potencial, São Paulo entrará no ano 2000 marcada pela crise, quase que sufocando qualquer esperança de um futuro melhor. Seria ilusório acreditar que este cenário catastrófico tenha sido causado simplesmente pela atual crise econômica.
A verdade é que São Paulo não encontrou ainda a sua identidade, porque não tem um projeto para si mesma. Diante da inoperância governamental e da apatia da sociedade, nossos defeitos chamam mais a atenção do que nossas qualidades.
São Paulo não tem rosto nem personalidade, é um amontoado de retalhos. A cidade sempre esteve _e permanece_ na mão de aventureiros que seguem destruindo e descaracterizando ruas, prédios, bairros e praças, descartando e ocultando monumentos e marcos de referência histórica, cultural e geográfica.
O que São Paulo tem a oferecer hoje, ao contrário de outras metrópoles mais desenvolvidas, ou mesmo de outras cidades com apelo turístico, é a antipaisagem. Uma cidade constantantemente em obras que somam quase nada ao desenvolvimento e à melhora da nossa qualidade de vida.
Particularmente nas duas últimas gestões _de Paulo Maluf e de Celso Pitta_, ficamos reféns de um bando de vereadores corruptos, despreparados e incompetentes.
Assistimos impassíveis o crescimento monstruoso da dívida pública para ajudar a manter o poder nas mãos desse crime (des)organizado, que loteou a cidade e enlameou a política municipal. Não será agora com candidatos-milagreiros ou promessas eleitoreiras que São Paulo vai despertar para a necessidade de transformação.
O que precisamos _e o PPS é fundamental nessa mudança, desde que tenha coragem e competência para assumir o seu papel_ é conscientizar e mobilizar os paulistanos para a criação e a manutenção de um ambiente social saudável, com planejamento, organização comunitária, responsabilidade eleitoral e diminuição de privilégios.
Mas sobretudo com ética, moral e com o desafio de construirmos um partido político de verdade, sem "dono", que respeite a sua história e a sua vocação, fortaleça democraticamente as suas estruturas e apresente um programa viável para São Paulo e para o Brasil.